A vida realmente é absurda, o que leva inevitavelmente a questionar a sua existência.
Embora o absurdismo e o existencialismo sejam questões diferentes, não são independentes. Camus, embora não o refira directamente, encarava esta situação da mesma maneira. Referenciava nas suas obras situações e pessoas que na realidade era ele mesmo reflectido nessas personagens, e por um motivo muito simples; a resposta a tudo o que se acontece à
volta das pessoas, as duvidas que têm em relação à sua existência, reside em cada um de nós. Não há uma resposta única ou uma definição que se possa ajustar a todos nós. Cada um de nós irá ter uma visão diferente consoante a vida que tem, aquilo em que acredita, a sociedade em que está inserido e até mesmo a comunidade da qual faz parte.
Dou um exemplo relativamente simples. Duas crianças gémeas são separadas à nascença, uma é criada num bairro pobre e problemático a outra na casa de uma família da classe média; ambas recebem o mesmo apoio, amor e carinho por parte das famílias de cada uma, contudo, ambas têm recursos diferentes na vida; a que é criada no bairro pobre tem apenas acesso ao essencial, a outra tem mais possibilidades. Embora seja uma situação relativa, há uma grande probabilidade de o sentido da vida da pessoa criada no bairro pobre e problemático ser o da sobrevivência, ao passo que na outra há a hipótese de ela nem sequer ter colocado tal questão, e se a colocou a resposta seria talvez ser feliz.
Mas aqui temos outra questão, o que é a felicidade? Diria, tal como Camus, que é um absurdo; também porque é relativa, porque se para uns ter um emprego e uma família é a definição de felicidade, para outros é pouco, seria até mesmo necessário serem ricos, poderosos, etc. Albert Camus acreditava que tudo o que acontece é por responsabilidade do Homem. Renuncia a deus e mesmo dando-lhe o benefício da dúvida, responsabiliza-o da mesma maneira como responsabiliza o Homem.
Certas coisas só são o que são, e só as entendemos de uma determinada maneira porque nos são impostas, mas o ser humano é mesmo assim; apenas consegue acreditar naquilo que entende, ou então quando não entende e não tem explicação remete para um Deus, porque assim é-lhe mais fácil de entender e aceitar.
Alguns acreditam no entender pela fé porque existem certas coisas que não se explicam apenas têm que aceita-las, que os Homens perdem demasiado tempo a pensar numa explicação para tudo e não aproveitam o momento. Se calhar têm essa necessidade, só se sentem seguros quando entendem as coisas, quando as controlam. Por isso é que o ser humano é egocêntrico. Acha que assim não terá responsabilidade sobre nada, mas isso só o prova como um fraco, incapaz de se responsabilizar pelo que faz e incapaz de reconhecer a sua ignorância.
É triste ser-se humano, falamos em humanidade, dizemos que os restantes seres vivos são animais, mas pergunto-me quem será o verdadeiro animal! Dizem que somos todos animais, uns racionais outros não, e o que realmente nos distingue é a capacidade de pensar e os instintos. Mas em que pensamos? Que instintos tem esta sociedade? Mentira? Egoísmo? Traição? Cobiça? Os animais não mentem, não são falsos, não matam os da própria espécie por prazer.
Uma das coisas que escrevi é verdade; tudo o que o Homem faz é com o intuito de ter prazer, de se sentir bem. Por isso pergunto qual é o verdadeiro sentido das palavras que ouvimos com tanta frequência; o que é o amor, a família, o respeito e a amizade? Será que são mesmo pelos outros como assumimos que é? Ou é por nós, para nos sentirmos bem? Acho que foi Mark Twain que escreveu: "Porque nos sentimos tristes num funeral e alegres num nascimento? Porque não somos a pessoa em causa!"
Provavelmente devo ser eu mesmo que estou mal, revoltado comigo, com os outros e com a vida; mas e se na realidade a minha revolta for a minha lucidez? Eu sou uma pessoa de ciência, tudo tem uma explicação, apenas não as sabemos; ainda! Por isso é que entendo e aceito que nada é absoluto. Se calhar é devido às perspectivas que tenho sobre as coisas que aceito melhor a morte do que aceito a vida; não aceito a vida tão bem porque é falsa, é realmente absurda.
Não tem sentido aceitar as coisas como elas são quando certas coisas não têm razão de ser, de existir. Ao encontrar uma explicação para algo não pretendo esquece-la, mas sim lembrar-me sempre e aprender com isso.
Embora o absurdismo e o existencialismo sejam questões diferentes, não são independentes. Camus, embora não o refira directamente, encarava esta situação da mesma maneira. Referenciava nas suas obras situações e pessoas que na realidade era ele mesmo reflectido nessas personagens, e por um motivo muito simples; a resposta a tudo o que se acontece à
volta das pessoas, as duvidas que têm em relação à sua existência, reside em cada um de nós. Não há uma resposta única ou uma definição que se possa ajustar a todos nós. Cada um de nós irá ter uma visão diferente consoante a vida que tem, aquilo em que acredita, a sociedade em que está inserido e até mesmo a comunidade da qual faz parte.
Dou um exemplo relativamente simples. Duas crianças gémeas são separadas à nascença, uma é criada num bairro pobre e problemático a outra na casa de uma família da classe média; ambas recebem o mesmo apoio, amor e carinho por parte das famílias de cada uma, contudo, ambas têm recursos diferentes na vida; a que é criada no bairro pobre tem apenas acesso ao essencial, a outra tem mais possibilidades. Embora seja uma situação relativa, há uma grande probabilidade de o sentido da vida da pessoa criada no bairro pobre e problemático ser o da sobrevivência, ao passo que na outra há a hipótese de ela nem sequer ter colocado tal questão, e se a colocou a resposta seria talvez ser feliz.
Mas aqui temos outra questão, o que é a felicidade? Diria, tal como Camus, que é um absurdo; também porque é relativa, porque se para uns ter um emprego e uma família é a definição de felicidade, para outros é pouco, seria até mesmo necessário serem ricos, poderosos, etc. Albert Camus acreditava que tudo o que acontece é por responsabilidade do Homem. Renuncia a deus e mesmo dando-lhe o benefício da dúvida, responsabiliza-o da mesma maneira como responsabiliza o Homem.
Certas coisas só são o que são, e só as entendemos de uma determinada maneira porque nos são impostas, mas o ser humano é mesmo assim; apenas consegue acreditar naquilo que entende, ou então quando não entende e não tem explicação remete para um Deus, porque assim é-lhe mais fácil de entender e aceitar.
Alguns acreditam no entender pela fé porque existem certas coisas que não se explicam apenas têm que aceita-las, que os Homens perdem demasiado tempo a pensar numa explicação para tudo e não aproveitam o momento. Se calhar têm essa necessidade, só se sentem seguros quando entendem as coisas, quando as controlam. Por isso é que o ser humano é egocêntrico. Acha que assim não terá responsabilidade sobre nada, mas isso só o prova como um fraco, incapaz de se responsabilizar pelo que faz e incapaz de reconhecer a sua ignorância.
É triste ser-se humano, falamos em humanidade, dizemos que os restantes seres vivos são animais, mas pergunto-me quem será o verdadeiro animal! Dizem que somos todos animais, uns racionais outros não, e o que realmente nos distingue é a capacidade de pensar e os instintos. Mas em que pensamos? Que instintos tem esta sociedade? Mentira? Egoísmo? Traição? Cobiça? Os animais não mentem, não são falsos, não matam os da própria espécie por prazer.
Uma das coisas que escrevi é verdade; tudo o que o Homem faz é com o intuito de ter prazer, de se sentir bem. Por isso pergunto qual é o verdadeiro sentido das palavras que ouvimos com tanta frequência; o que é o amor, a família, o respeito e a amizade? Será que são mesmo pelos outros como assumimos que é? Ou é por nós, para nos sentirmos bem? Acho que foi Mark Twain que escreveu: "Porque nos sentimos tristes num funeral e alegres num nascimento? Porque não somos a pessoa em causa!"
Provavelmente devo ser eu mesmo que estou mal, revoltado comigo, com os outros e com a vida; mas e se na realidade a minha revolta for a minha lucidez? Eu sou uma pessoa de ciência, tudo tem uma explicação, apenas não as sabemos; ainda! Por isso é que entendo e aceito que nada é absoluto. Se calhar é devido às perspectivas que tenho sobre as coisas que aceito melhor a morte do que aceito a vida; não aceito a vida tão bem porque é falsa, é realmente absurda.
Não tem sentido aceitar as coisas como elas são quando certas coisas não têm razão de ser, de existir. Ao encontrar uma explicação para algo não pretendo esquece-la, mas sim lembrar-me sempre e aprender com isso.
(por Jorge Neves)