28 de março de 2010

O Absurdo

A vida realmente é absurda, o que leva inevitavelmente a questionar a sua existência.
Embora o absurdismo e o existencialismo sejam questões diferentes, não são independentes. Camus, embora não o refira directamente, encarava esta situação da mesma maneira. Referenciava nas suas obras situações e pessoas que na realidade era ele mesmo reflectido nessas personagens, e por um motivo muito simples; a resposta a tudo o que se acontece à
volta das pessoas, as duvidas que têm em relação à sua existência, reside em cada um de nós. Não há uma resposta única ou uma definição que se possa ajustar a todos nós. Cada um de nós irá ter uma visão diferente consoante a vida que tem, aquilo em que acredita, a sociedade em que está inserido e até mesmo a comunidade da qual faz parte.
Dou um exemplo relativamente simples. Duas crianças gémeas são separadas à nascença, uma é criada num bairro pobre e problemático a outra na casa de uma família da classe média; ambas recebem o mesmo apoio, amor e carinho por parte das famílias de cada uma, contudo, ambas têm recursos diferentes na vida; a que é criada no bairro pobre tem apenas acesso ao essencial, a outra tem mais possibilidades. Embora seja uma situação relativa, há uma grande probabilidade de o sentido da vida da pessoa criada no bairro pobre e problemático ser o da sobrevivência, ao passo que na outra há a hipótese de ela nem sequer ter colocado tal questão, e se a colocou a resposta seria talvez ser feliz.
Mas aqui temos outra questão, o que é a felicidade? Diria, tal como Camus, que é um absurdo; também porque é relativa, porque se para uns ter um emprego e uma família é a definição de felicidade, para outros é pouco, seria até mesmo necessário serem ricos, poderosos, etc. Albert Camus acreditava que tudo o que acontece é por responsabilidade do Homem. Renuncia a deus e mesmo dando-lhe o benefício da dúvida, responsabiliza-o da mesma maneira como responsabiliza o Homem.
Certas coisas só são o que são, e só as entendemos de uma determinada maneira porque nos são impostas, mas o ser humano é mesmo assim; apenas consegue acreditar naquilo que entende, ou então quando não entende e não tem explicação remete para um Deus, porque assim é-lhe mais fácil de entender e aceitar.
Alguns acreditam no entender pela fé porque existem certas coisas que não se explicam apenas têm que aceita-las, que os Homens perdem demasiado tempo a pensar numa explicação para tudo e não aproveitam o momento. Se calhar têm essa necessidade, só se sentem seguros quando entendem as coisas, quando as controlam. Por isso é que o ser humano é egocêntrico. Acha que assim não terá responsabilidade sobre nada, mas isso só o prova como um fraco, incapaz de se responsabilizar pelo que faz e incapaz de reconhecer a sua ignorância.
É triste ser-se humano, falamos em humanidade, dizemos que os restantes seres vivos são animais, mas pergunto-me quem será o verdadeiro animal! Dizem que somos todos animais, uns racionais outros não, e o que realmente nos distingue é a capacidade de pensar e os instintos. Mas em que pensamos? Que instintos tem esta sociedade? Mentira? Egoísmo? Traição? Cobiça? Os animais não mentem, não são falsos, não matam os da própria espécie por prazer.
Uma das coisas que escrevi é verdade; tudo o que o Homem faz é com o intuito de ter prazer, de se sentir bem. Por isso pergunto qual é o verdadeiro sentido das palavras que ouvimos com tanta frequência; o que é o amor, a família, o respeito e a amizade? Será que são mesmo pelos outros como assumimos que é? Ou é por nós, para nos sentirmos bem? Acho que foi Mark Twain que escreveu: "Porque nos sentimos tristes num funeral e alegres num nascimento? Porque não somos a pessoa em causa!"
Provavelmente devo ser eu mesmo que estou mal, revoltado comigo, com os outros e com a vida; mas e se na realidade a minha revolta for a minha lucidez? Eu sou uma pessoa de ciência, tudo tem uma explicação, apenas não as sabemos; ainda! Por isso é que entendo e aceito que nada é absoluto. Se calhar é devido às perspectivas que tenho sobre as coisas que aceito melhor a morte do que aceito a vida; não aceito a vida tão bem porque é falsa, é realmente absurda.
Não tem sentido aceitar as coisas como elas são quando certas coisas não têm razão de ser, de existir. Ao encontrar uma explicação para algo não pretendo esquece-la, mas sim lembrar-me sempre e aprender com isso.

(por Jorge Neves)

11 de março de 2010

O que falta

Não sei o que amamos quando amamos alguém, temos uma estória dentro de nós, e temos de vive-la. Não, nunca fugir do passado.
Na verdade a outra pessoa pode ser uma máscara. Uma ilusão. "Pois é"... a minha vida é livre, mas por vezes é um pouco solitária. Mas, sentado e reflectindo para o mistério da sua alma, "eu penso"... "sonho"...
Pensei nisso durante muito tempo, antes de adormecer... "acordei"... e creio que o mundo não me deixa em paz. E para além disso, não há nenhum problema que seja tão grande que não se possa resolver. Tanta liberdade... e eu procuro paz... conheço o meu passado e o futuro das coisas! Sei o caminho, por isso não procuro vielas nem passeios de obrigação; a minha única obrigação é ser verdadeiro comigo mesmo e com as pessoas que amo. "Nada mais"...
As perguntas mais profundas são as mais simples. Pensa-se um pouco nelas e vemos como são tão ingénuas...
Sinto como se a vida me tivesse lançado para um mundo de abutres, e ilusões! É tão confuso... Sensação estranha... Algo mudou? Ainda não tenho tudo arrumado, mas voltei a sorrir. Vejo a luz da vida no fim do túnel, vejo a paz.
Mas falta algo. Mas o que me falta? Não sei! Ainda não consegui descobrir mesmo passado todo este tempo. Apesar de saber o caminho vagueio... perdido e desnorteado. As respostas devem estar algures por aí!

(por Jorge Neves)

9 de março de 2010

O Homem

O Homem não passa de um ser egoísta, olha apenas para ele próprio, neste preciso momento sem se preocupar com o amanhã
Ele gasta todos os recursos até à exaustão, quando se esgotam mudam-se e começam tudo de novo; "o único organismo que segue o mesmo padrão é o vírus!"
O consumo desenfreado dos recursos esgotáveis sem a mínima preocupação com o facto de se continuarão a existir amanhã ou não, se irá poluir ou não os outros recursos vitais; como a água, o solo e o ar. Apesar de termos a tecnologia para usar os recursos inesgotáveis, como a energia solar, das marés, das ondas, etc... não o fazemos; por oportunismo, por cobiça.
O único interesse que o Homem tem é em enriquecer, e a qualquer custo. Mas esquece-se que quando morrer toda essa riqueza não vai com ele. Então porque não aproveita a sua passagem por esta vida e desfrutar de tudo o que este mundo tem de melhor... sem destruir? Garantir que os seus descendentes tenham um futuro melhor, certificarem-se que também eles possam usufruir deste planeta do mesmo modo que nós o fizemos; de preferência melhor ainda!
A nossa liberdade termina quando começa a dos outros; quem é que o Homem julga que é para chegar ao ponto de retirar o futuro e a liberdade aos seus filhos? Àqueles que ainda nem sequer nasceram?

(por Jorge Neves)

6 de março de 2010

Pessoas Tímidas

Gosto imenso de pessoas tímidas. Se calhar porque tenho inveja delas. Nem sempre; mas quase sempre.
Há os extrovertidos e os tímidos mas mesmo os extrovertidos têm de ser tímidos num primeiro encontro. Tenho horror àquelas pessoas que ficam logo íntimas como se não fosse preciso fazer nada para conquistar ou outros ou que os outros são um território onde outros podem entrar sem convite.
Mas são os tímidos, os tímidos convictos, que têm a minha admiração. Não se impõem aos outros à força; quando falam geralmente é porque têm qualquer coisa importante para dizer, ouvem as nossas estórias até ao limite da paciência e são o ombro em que mais apetece chorar. Normalmente são muito mais sábios porque usam mais tempo a observar o que se passa à volta e conseguem fazê-lo sem serem notados. O silêncio dos tímidos não é pesado, nem os coloca de fora de um grupo.
Mas acima de tudo, têm um sorriso que os extrovertidos normalmente não têm. Não é frequentemente e por isso tem muito mais graça; e depois começa num canto da boca e vai-se transformando num sorriso só aos poucos. Quando os conseguimos fazer sorrir sentimos um nó na garganta e apetece que eles nunca mais deixem de o fazer. Mas eles deixam.
Outra grande vitória é quando conseguimos que deixem durante um bocadinho de ser tímidos, ou que deixem de ser tímidos connosco. Não vale a pena usar copos para os desinibir. Para ser especial é preciso que se sintam tão seguros que sejam eles próprios, que falem deles e das coisas que os incomodam, façam aqueles comentários inteligentes de quem afinou muito bem as palavras antes de as dizerem.
Os tímidos não precisam de trazer flores ou presentes… basta aparecerem!


(autor desconhecido)

O Alentejano e o Intelectual

Um Alentejano apanha um comboio para ir a Lisboa e senta-se ao lado de um senhor muito bem vestido. O alentejano começa a olhar e pergunta...